Trabalho no Brasil: início do século XX

Mundo do trabalho no Brasil: início do século XX
Você se lembra que, na primeira fase da República brasileira (1889-1930), a elite cafeeira liderava o mercado no país e controlava o governo?
O Brasil tinha uma economia basicamente agrária com emprego de mão-de-obra livre por assalariamento ou arrendamento, e um setor industrial começando a se desenvolver.
Havia, desde 1888 (época da assinatura da Lei Áurea, que abolia a escravidão), por parte das elites brasileiras, a preocupação em disseminar o valor do trabalho como fonte de riqueza, ordem e progresso social, contra a vadiagem e a desocupação – as quais eram interpretadas pelas elites como atitudes comuns nas grandes cidades devido à herança dos tempos da escravidão.
Os parlamentares brasileiros, do final do século XIX, tentavam imprimir na sociedade a idéia do trabalho como pagamento da dívida do cidadão para com a sociedade que lhe garante a honra, a segurança, os direitos individuais; trabalho como reconstrução moral da sociedade que já fora escravista.
Leia o que o texto 2 diz a respeito. Depois veja o que o documento
3 representa:

Texto 2
O projeto de repressão à ociosidade de 1888, elaborado pelo ministro Ferreira Viana, afirmava que a liberdade do cativeiro não significava para o liberto a responsabilidade pelos seus atos, e sim a possibilidade de se tornar ocioso, furtar, roubar, os libertos não tinham a ambição de fazer o bem e de obter um trabalho honesto, não eram civilizados para se tornarem cidadãos plenos em poucos meses. Era necessário evitar que os libertos comprometessem a ordem, havia de se reprimir seus vícios. Esses vícios seriam vencidos através da educação, e educar libertos significava criar o hábito do trabalho através da repressão, da obrigatoriedade.

Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), os países dependentes, como o Brasil, foram estimulados a desenvolver setores de produção na área de transportes, siderurgia e energia. Este estímulo não garantia autonomia da produção brasileira em detrimento da produção estrangeira. Era apenas uma fase, enquanto potências de tradição industrial, como Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos, estavam envolvidos com a guerra e davam prioridade para a produção de armas e importação de gêneros de primeira necessidade, como alimentos.

Nesse contexto, surgiram novas fábricas no Brasil, especialmente nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Para essas cidades o fluxo migratório, em busca do trabalho nas indústrias, foi constante em todo o século XX.

Quanto às condições de trabalho, no Brasil, do início do século XX, não havia nenhuma regulamentação: as jornadas eram de mais de 14 ou 16 horas por dia, mulheres ganhavam menos que homens, e as crianças, ainda menos que as mulheres. Os locais eram insalubres: sem iluminação nem ventilação e não havia lei para o salário.
Estas condições de trabalho levaram os trabalhadores a se organizarem em sindicatos, promoverem greves e manifestações. Observe algumas realizações do movimento operário na República Velha.

 

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