O Cânone Clássico e a Deformação na Arte

As pessoas, de uma maneira geral, preocupam-se muito com os padrões de beleza considerados ideais. Por exemplo, a maioria das mulheres quer ter um corpo tipo “top model”, hoje, considerado o padrão ideal de beleza feminino. Mas, esses padrões de beleza mudam de acordo com a época.
No Renascimento, o ideal de beleza ainda era inspirado no cânone clássico greco-romano que se formou a partir de uma medida ideal de figura humana: o cânone das oito cabeças.
Cânone ou cânon é uma palavra de origem grega que significa regra, padrão, modelo ou norma.
Um modelo seria proporcionalmente perfeito e tido como símbolo de beleza se apresentasse essa medida. Observe esse cânone no desenho de Leonardo Da Vinci.
O Homem Vitruviano, um desenho de Leonardo Da Vinci, considerado o símbolo maior do ideal de harmonia do Renascimento, é na verdade um estudo das proporções do corpo humano elaborado pelo artista segundo instruções do arquiteto romano Vitruvius (I a.C.). O homem bem representado, de acordo com o desenho, deve estar de pé, com as pernas e braços abertos, posicionados com precisão nas figuras geométricas mais perfeitas, o círculo – tendo como centro o umbigo – e o quadrado – tendo como centro as genitais. O espaço compreendido entre a raiz dos cabelos e a altura do queixo corresponde a um oitavo da altura do homem.
O texto que acompanha o Vitruvius examina todo o corpo humano usando como unidade de medida o dedo, o palmo, o pé, concluindo que a natureza constituiu o corpo do homem de forma que os membros correspondessem proporcionalmente à sua soma total, ou seja, a figura humana perfeita deve ter a medida exata de oito cabeças.

O Artista:
Leonardo Da Vinci (1452-1519). Admirado por sua beleza, seu intelecto e charme. Cantava divinamente e sua conversação conquistava a todos.
Adorava escalar altas montanhas e era fascinado pelo vôo. Esboços de aves eram freqüentes nos cadernos em que projetava seus eventos voadores que veio a construir.
Leonardo fez mais que qualquer outro para criar o conceito de gênio-artista. Ao acentuar permanentemente os aspectos intelectuais da Arte e da criatividade, Leonardo transformou o status do artista em, segundo suas palavras, “Senhor e Deus”.

O Ideal de Perfeição do Renascimento

Você sabe o que significa a palavra renascimento?
O Renascimento foi um período de renovação cultural com grande produção artística e científica, que ocorreu na sociedade européia, nos séculos XV e XVI, em decorrência do desenvolvimento do capitalismo. Iniciou na Itália e espalhou-se por outras partes da Europa.
O Renascimento firmou-se pelo aperfeiçoamento da imprensa, que possibilitou a difusão dos clássicos greco-romanos, da Bíblia e de outras obras, até então manuseadas apenas pelos “monges copistas” dentro de Mosteiros e Abadias.
A decadência de Constantinopla, que provocou um verdadeiro êxodo de intelectuais bizantinos para a Europa Ocidental, e as Grandes Navegações ou Mecanismos de Conquista Colonial, que alargaram os horizontes geográficos e culturais, propiciaram o contato europeu com culturas completamente distintas, contribuindo para derrubar muitas idéias até então tidas como verdades absolutas. Neste período, consolida-se o mecenato, que financiava o trabalho dos artistas, com intuito de projetar o nome de burgueses ricos, príncipes e até papas.
Durante esse período, a cultura greco-romana passou a ser cultivada, o que para os artistas renascentistas, os gregos e romanos possuíam uma visão completa e humana da natureza, ou seja, humanista – valores da Antigüidade, que exaltavam o homem como ser dotado de liberdade, de vontade e de capacidade individual. Porém, o individualismo marcou mais que o Humanismo da Antigüidade. O individualismo renascentista trouxe a idéia do gênio e o ideal passou a ser um homem que se ocupa de todos os aspectos da vida, da arte e da ciência. Leonardo Da Vinci foi um desses gênios.

Veja esboços de um de seus inventos:

O Renascimento instaurou uma nova visão do homem, a sua inteligência, o conhecimento e o dom artístico são valorizados, diferentemente da época Medieval que antecedeu o Renascimento, na qual a vida do homem deveria ser centrada em Deus.
Ocorre uma mudança da visão teocêntrica da Idade Média, na qual Deus era o centro do universo, para uma visão antropocêntrica, em que o homem ocupa esse centro. A perspectiva antropocêntrica trouxe o interesse pela investigação da natureza e o culto à razão e à beleza característicos da cultura greco-romana.

A Arte além das aparências
Provavelmente você já deve ter dito ou ouvido alguém dizer diante de obras tidas como Modernas: “Isso não é arte é uma rabisqueira!” Ou ainda: “Isso até eu faço!” E até compartilhar do desejo de “queimar” esse tipo de arte.
Certamente o homem não dispensa a beleza. Mas seria correto reduzir a arte à beleza?
Mas, o que é belo?
Com o expressionismo a beleza e a arte são redefinidas. A arte deixou de ter o compromisso com a beleza perfeita e imperturbável. A Arte deforma, intriga, desfigura, denuncia, desperta, grita e faz emudecer, revelando aquilo que nos escapa num primeiro olhar. O olhar da Arte Moderna desvenda a vida humana.

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