Atividades econômicas no Brasil colonial

As primeiras atividades manufatureiras no Brasil colonial (século XVI a XIX) foram a fabricação do açúcar em engenhos e a mineração de ouro, ambas utilizando técnicas bastante rudimentares. Visto que o país era uma colônia destinada a fornecer ao comércio europeu somente alguns gêneros agrícolas tropicais, que tinham grande expressão econômica, ou minérios de alto valor, todas as outras atividades produtivas assumiram um caráter secundário e serviram apenas para dar subsídios ao objetivo principal, que era a exportação.

Sobre este tema, observe o que diz a historiografia:

Texto 1
Durante os três primeiros séculos de nossa história, as atividades industriais (aqui entendidas no sentido genérico do termo) reduziram-se, praticamente, à fabricação do açúcar nos engenhos e na mineração.
As técnicas utilizadas em ambos os casos eram bastante rudimentares, havendo pouca diferença entre o processo de fabricação do açúcar e da aguardente no século XVI e no início do século XIX.
Durante esse período colonial uma série de outras atividades foram desenvolvidas, porém todas com um caráter de atividade acessória. Por exemplo, a produção de tecidos data dos primeiros anos da colonização. O algodão, que já era conhecido e utilizado pelos indígenas, continuou a ser cultivado pelos portugueses em certas capitanias, dando origem a uma produção têxtil doméstica de certa importância, principalmente no Pará e no Maranhão, que chegou a exportar tecidos para o Reino. Também no Ceará e em São Paulo e, algum tempo depois, em Minas Gerais, desenvolveu-se muito a produção de tecidos.
A construção naval foi a atividade industrial que reuniu, junto com os engenhos, o maior número de trabalhadores por unidade de produção durante a colônia. No início, eram serviços de assistência aos navios em trânsito, quando necessitados de reparo. Essa indústria naval estimulou o aparecimento de várias outras manifestações manufatureiras nos séculos XVII e XVIII: confecção de cordas, velas, cabos, estopas e óleos.
Além das atividades acima mencionadas, ainda poderíamos lembrar a produção de charque (no Sul) e de gêneros alimentícios, a preparação de fumo de corda, a fabricação do anil, a extração do sal, a produção de azeite de baleia – usado na iluminação pública –, a confecção de móveis, construção civil (casas, pontes, aquedutos), como manifestações de atividades industriais e manufatureiras no Brasil-colônia. Sem falar na atividade artesanal que era exercida, tanto nos engenhos e fazendas como nas cidades, por ferreiros carpinteiros, seleiros, ourives, sapateiros, alfaiates, serralheiros, latoeiros, curtidores, oleiros e outros.

A enumeração de todas essas atividades não deve fazer você esquecer um dos aspectos essenciais da colonização brasileira, que foi o de uma colônia destinada a fornecer ao comércio europeu alguns gêneros tropicais e de grande expressão econômica.

Texto 2
A fábrica, na Europa, e o engenho de açúcar, nas colônias, não foram resultados imediatos de um desenvolvimento crucial das bases técnicas de produção, mas, ao contrário, representaram formas peculiares de organização social do trabalho para a obtenção, sob garantia absoluta, do lucro do capitalista, e ambas se figuraram pela concentração em um mesmo lugar de trabalho, e em larga escala, de trabalhadores despossuídos de meios de produção e de saber técnico.
Ao nos aproximarmos dos textos de viajantes e de habitantes de colônia que descreveram em pormenores o universo do engenho, o nosso espanto pode ser grande, já que inadvertidamente podemos confundi-los com qualquer descrição das fábricas do período de Revolução Industrial. Todo o universo infernal das “satânicas fábricas escuras” descritas por Engels, em 1844, em sua obra A situação da classe trabalhadora na Inglaterra, pode encontrar correspondência num extraordinário sermão do Padre Vieira, datado de 1633, que anuncia assustadoramente a sua visão do engenho de açúcar: “É verdadeiramente quem via na escuridade da noite aquelas fornalhas tremendas perpetuamente ardentes; as labaredas que estão saindo aos borbotões de cada uma pelas duas bocas ou ventas, por onde respiram o incêndio; os etíopes, ou ciclopes banhados em suor tão negros como robustos que subministram a grossa dura matéria ao fogo, e os forçados com que o revolvem e atiçam; as caldeiras em lagos ferventes, com os canhões sempre batidos e rebatidos, já vomitando espumas, exalando nuvens de vapores, mais de calor que de fumo, e tornando-se a chover para outra vez o exalar; o ruído das rodas, das cadeias, da gente toda de cor da mesma noite, trabalhando vivamente e gemendo tudo ao mesmo tempo, sem momento de tréguas, nem de descanso; quem vir enfim toda a máquina e aparato confuso e  estrondoso, não poderá duvidar, ainda que tenha visto o Ethnas e Vesúvios, que é uma semelhança do inferno.

Texto 3
A partir de princípios do século XVIII, no centro do que hoje se constitui o Estado de Minas Gerais, se fazem as primeiras grandes descobertas de jazidas auríferas. A mineração do ouro ocupará durante três quartos de século o centro das atenções de Portugal.Vejamos um aspecto da indústria mineradora:
como se organiza e funciona a exploração das jazidas. Encontramos aí dois tipos de organização:
o primeiro é o das lavras, que se emprega nas jazidas de certa importância. As lavras são estabelecimentos de algum vulto, dispondo de aparelhamento específico, e onde sob direção única e trabalhando em conjunto, reúnem-se vários trabalhadores. Opõe-se à lavra, a pequena extração realizada por indivíduos isolados que não empregam senão uns poucos instrumentos rudimentares. São os chamados faiscadores.

 

 

 

 

 

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